
Sábado a noite (04-10) quando saía da casa de minha Mãe Beata uma cena me chamou atenção. Eram pessoas humildes que se divertiam e festejavam o momento ao som de um forte pagode.
Não consegui parar de olhar, pois naquele momento o que eu percebia neles era o extravasamento de mágoas e angustias que haviam sido acumuladas ao longo de uma vida. E então eu me perguntei quantos sonhos se perderam no caminho e quantos desejos ainda não poderam ser saciados?
E então eu me pus a pensar... E aí, esse ritmo que arrasta multidões, aliena as massas, destrói o povo, invade os recintos, destrói críticos, constrói famílias, amado por uns e odiados por outros. É bom? Qual o valor de sua existência?
Me parece estranho que um ritmo tão executado e vivenciado por todas as classes ainda sofra uma hipócrita rejeição social que a caracteriza como baixa, imoral, suja e desnecessária. Concordo com os que afirmam que algumas letras não são exemplos educacionais para nossas crianças e ainda que letras preconceituosas ou que tenham intenção de subalternizar gêneros devam ser banidos das rádios e da mente de todos, mas a verdade é que essa é a nossa cultura, a cultura popular e popularizada que invade mansões e iates, que veste brechó e Armani, que samba descalço ou com sapatilhas douradas. Essa é a nossa cultura, a que torce a boca para o povo e come feijoada com talher de prata, que nega suas raízes e veste branco nas sextas-feiras, que vive seus desejos e renega o sonho alheio.
Esse é o meu povo! Drogados culturais que consomem seus momentos como únicos disponíveis e que riem de suas angustias sem ter mais lágrimas para chorar. Eu sou desse povo que sonha com um amanhã melhor e constrói hoje tudo o que possa ser lembrado, que não quer pouco e nem se contenta com maus hábitos, que aceita tudo o que vem e expurga tudo o que não presta.
Rodrigo Almeida
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